Confira a galeria de fotos com uma pequena amostra da diversidade de répteis e anfíbios que vivem nos pampas
A existência de novas espécies animais nos pampas não é surpresa. Afinal, o bioma contém grandes vazios de amostragem – isto é, áreas pouco estudadas, nas quais há boas chances de se encontrar uma fauna heterogênea.
A equipe da UFRGS vem empregando uma metodologia denominada modelagem de distribuição geográfica. “Correlacionamos os dados de ocorrência das espécies comdados referentes a clima, altitude e vegetação”, diz Martins.
Ele explica que, com o auxílio de softwares e algoritmos, pode-se prever a distribuição das espécies no bioma. Com os resultados do estudo, será possível definir as áreas que têm prioridade de conservação.
Ameaça da silvicultura

- O pampa se caracteriza por formações vegetais predominantemente de campo, mas possui também arbustos e pequenas florestas. Na foto, tirada no município de Manoel Viana (RS), vê-se ao centro uma plantação de eucalipto. Hoje a silvicultura é a principal ameaça à conservação do bioma. (foto: Márcio Borges Martins)
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) recomenda a preservação de pelo menos 10% de cada bioma brasileiro. Em 2007, um mapeamento feito pela UFRGS em parceria com o MMA, baseado em dados do satélite norte-americano Landsat, mostrou que 41% da vegetação nativa dos pampas está intacta.
Apesar da boa notícia, o bioma corre risco, pois menos de 0,5% de sua superfície destina-se a áreas de conservação.
Historicamente, a pecuária é a atividade vinculada ao desenvolvimento da região, cujas pastagens naturais são ricas e diversificadas.
“Por esse motivo, não é necessário desmatar a paisagem nativa para produzir pasto, e graças a isso boa parte do pampa se mantém intacta”, afirma o geógrafo da UFRGS Heinrich Hasenack. Segundo ele, nesse bioma a pecuária é mais sustentável.
Mas nos últimos tempos a atividade tem perdido cada vez mais espaço para uma concorrente notória: a silvicultura. “Em nosso estado as pastagens têm se desvalorizado, e muitas terras estão sendo adquiridas por empresas de silvicultura,com o apoio do governo”, lamenta Martins.
- O lagarto 'Stenocercus azureus' é um dos répteis que vivem no pampa. O bioma guarda uma notável biodiversidade de répteis e anfíbios. (foto: Márcio Borges Martins)
Essa atividade descaracteriza completamente a morfologia dos pampas, causando um sério impacto de paisagem. Formações abertas tornam-se formações de monocultura florestal, e os impactos dessa mudança são críticos para répteis e anfíbios.
Por serem ectotérmicos (não têm calor próprio e dependem do calor do ambiente), esses animais precisam se expor ao sol, procurando geralmente substratos rochosos para lagartear.
“Mas quando as áreas abertas são usadas para a silvicultura, o regime termal do ecossistema muda radicalmente”, afirma Martins. O sombreamento reduz as temperaturas e afeta o metabolismo das espécies nativas da região.
Por conta dessa alteração, cedo ou tarde espécies que sequer conhecemos podem desaparecer.
Elisa Martins.
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